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@sintes.com.br
Senha:
Mais uma vez o poder judiciário demonstra-se insensível em relação aos problemas sociais
de nossa Cidade e, para não fugir à regra, vem tratando a questão do aumento da tarifas
de ônibus da mesma forma com que trata a questão fundiária, sem levar em conta a
repercussão econômica e o impacto social causado pelo aumento médio de 8,8% das tarifas de transporte coletivo da Capital, autorizado pela Justiça.
O argumento do Juiz Domingos Paludo, da Vara da Fazenda Capital, no sentido de que a
demora da análise do caso poderia dificultar as negociações salariais entre os sindicatos
da categoria, "...com a possibilidade de deflagração de nova greve nos transportes
coletivos locais, de cujos malefícios à sociedade já tivermos mostra nos últimos dias",
não pode prosperar. Afinal, está em curso na cidade a campanha salarial dos trabalhadores
do transporte coletivo, e a liberação do novo aumento traz um grande impacto no bolso do
cidadão e produz, do nosso ponto de vista, efeito inverso tanto no processo de negociação
entre as partes quanto junto à sociedade, pois trata de antecipar o aumento
independentemente do resultado da negociação entre as partes interessadas.

A UFECO tem assento no Conselho Municipal de Transportes e informa ao público que a
liberação das tarifas não tem sido pautado nas reuniões ordinárias neste semestre, que é
o foro competente para discutir e deliberar sobre questões dessa natureza. O trabalho do
Conselho tem se limitado à análise de processos de ordem diversa, deixando de lado a
questão mais importante que é o debate sobre o aperfeiçoamento do sistema de transporte
público da Capital. Insistimos que somente uma Comissão Parlamentar de Inquérito poderá
trazer, de fato, os esclarecimentos para a sociedade sobre esta "caixa preta" do Sistema
de Transporte Público em Florianópolis, tendo-se em conta que esta é uma reivindicação da
população baseada em abaixo-assinado entregue à Câmara Municipal.

A UFECO solidariza-se com as manifestações populares e faz um chamamento para que todas as entidades mobilizem a comunidade contra os aumentos abusivos. Uma planilha já de conhecimento público mostra a discrepância entre os aumentos promovidos pelas empresas de transporte e os aumentos concedidos aos motoristas, assim como é superior a todos os demais indicadores econômicos.

Por Modesto Azevedo - Presidente da UFECO