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São Paulo, Brasil — O tempo para agir contra as mudanças climáticas está se esgotando, alertou o Greenpeace logo após a divulgação do novo relatório sobre impactos do aquecimento global do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC).

O estudo "Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade", segundo de uma série de estudos do quarto relatório do IPCC, divulgado hoje em Bruxelas, deixa claro que há pouco tempo para evitar impactos dramáticos e perigosos das mudanças climáticas nas próximas décadas.

O documento foi concluído depois de quase uma semana de negociações e uma longa e tensa sessão que durou 24 horas. Entre os dados do relatório constam os efeitos globais da elevação da temperatura nos ecossistemas e nas populações, além da avaliação dos impactos da mudança climática provocada pela atividade humana no próximo século.

"É uma visão apocalíptica do futuro. A Terra será completamente transformada pelas mudanças climáticas induzidas pela atividade humana, a menos que uma série de medidas seja adotada imediatamente" afirmou Stephanie Tunmore, coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Internacional. "O relatório divulgado hoje mostra que o tempo está acabando."

A mudança climática já afeta milhares de pessoas, ecossistemas e espécies em todo o planeta. A menos as emissões de gases do efeito estufa sejam reduzidas imediatamente, as mudanças climáticas devem causar impactos catastróficos tais como a extinção em massa de espécies; escassez de água afetando bilhões de pessoas; secas mais severas; elevação do nível do mar; tempestades mais intensas; inundações e diminuição na produção de alimentos nas partes mais pobres do planeta.

O quarto relatório do IPCC começou a ser lançado em fevereiro deste ano, com o estudo "Mudança Climática 2007: base científica", que apontou, com mais de 90% de certeza, que a maior parte do aquecimento de temperatura observado nos últimos 50 anos foi provocada por atividades humanas.

"Já temos soluções" afirma Marcelo Furtado, Diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil. “É possível realizar uma revolução energética que reduza dramaticamente as emissões de CO2 e possibilite uma transformação no modo como produzimos energia para impedir que o aumento de temperatura ultrapasse os 2 graus Celsius. Acima de 2°C, as conseqüências do aquecimento global serão irreversíveis. No Brasil poderemos crescer sem poluir garantindo nossas necessidades de energia elétrica com mais de 88% da matriz baseada em energias limpas e economizando energia ”.

Os governos devem começar a negociar metas para atingir esse objetivo já na próxima reunião da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas e do Protocolo de Kyoto, que acontece em Bali (Indonésia), em novembro deste ano. Na ocasião, deverá ser alcançado acordo para finalizar as negociações sobre a segunda fase do Protocolo de Kyoto até 2009.

Impactos no Brasil e na América Latina

Até a metade do século, são projetados aumentos na temperatura associados com a diminuição da oferta de água, bem como uma gradual transformação da floresta tropical da Amazônia Oriental em cerrado. O Semi-Árido será tomado pela vegetação árida. Existe ainda um risco eminente com relação à perda de biodiversidade e a extinção de espécies em várias áreas tropicais da América Latina.

Nas regiões secas, espera-se, com a mudança do clima, a transformação de áreas agriculturáveis em desertos. Haverá diminuição da produtividade de grandes safras e da pecuária, trazendo conseqüências adversas para a segurança alimentar. Em zonas temperadas, prevê-se o incremento do cultivo em campos de soja.

A elevação do nível do mar intensifica os riscos de enchentes em áreas de baixadas. O Relatório estima que os aumentos na temperatura da superfície do mar ocasionados pela mudança climática causarão efeitos adversos nos recifes de corais e também a modificação dos locais onde se concentram os estoques de peixes no Pacífico Sul.

Mudanças nos padrões de chuva e o desaparecimento das geleiras afetarão significativamente a disponibilidade de água tanto para o consumo humano, a agricultura e a geração de energia.

Diante do exposto no quarto relatório, os impactos das mudanças climáticas no mundo, na América Latina e especificamente no Brasil são preocupantes. O Brasil é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa no planeta e mais de 70% destas emissões vem do desmatamento da Amazônia.

“Ainda há tempo de evitar o pior desde que o país assuma metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, e implemente, em caráter de urgência, uma Política Nacional de Mudanças Climáticas, com ênfase em um plano que garanta o fim do desmatamento”, afirma Luís Piva, Coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace Brasil, “O Presidente da República tem cobrado dos países desenvolvidos uma postura pró-ativa com relação ao problema do aquecimento global, mas o governo brasileiro não tem feito sua própria lição de casa”.