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Aos Trabalhadores da Petrobras e Diretoria do Sindipetro SE/AL

É certo que, em tudo há a contradição contida, ou seja, os opostos existem numa mesma coisa. Os maniqueístas acreditam existir apenas o bem de um lado, apartado, e em oposição total o mal. Ignoram que, em meio ao universo das coisas estão interesses diferentes em disputa constante. Quando adquirimos consciência do que somos e das condições em que vivemos, a luta pela evolução se dá visando vencermos as contradições em nós, o que significa dizer tornar-nos coerentes.

No caso da campanha salarial dos funcionários do Sindipetro não se pode atribuir aos diretores do sindicato um papel de vilão, muito menos aos seus funcionários. Fosse assim, estaríamos bitolando a questão ao simples maniqueísmo. Não se trata, portanto, de uma luta entre o bem e o mal.

O sindicato precisa estar organizado financeiramente, tanto para pagar as despesas correntes, quanto prestar os devidos serviços aos seus sócios. Os trabalhadores, por seu turno, precisam manter o salário com poder de compra, ao contrário terminarão sufocados pelas dívidas e sem suprir suas necessidades. Ninguém merece passar aperreio. Daí a campanha salarial dos funcionários do Sindipetro como de qualquer trabalhador brasileiro.

Para um sindicato do porte do Sindipetro, cujo número de filiados é mantido praticamente estável, pois, muitos daqueles que se aposentam permanecem filiados e um tanto número de novos se filiam, o ajuste nas contas para atender as reivindicações dos funcionários depende apenas de atitudes administrativas. Caso o número de filiados esteja caindo é porque está faltando o típico trabalho de base. Certamente, uma das formas de aumentar a arrecadação é filiar mais trabalhadores ao sindicato.

O trabalho de base de um sindicato se dá com aproximação física e política dos diretores do sindicato aos trabalhadores filiados e não-filiados no dia a dia. Não apenas nas assembléias. Isto é feito com altivez e responsabilidade política. Jamais um diretor tímido e vacilante pode conversar com um trabalhador e lhe passar segurança. Deve-se confiar no instrumento chamado Sindicato a partir de diretores que ofereçam firmeza e harmonia nas próprias palavras. Nunca haverá confiança entre duas pessoas quando uma delas afirma ser adepta de uma atitude e assume outra completamente diferente. A isto se chama de incoerência.

Tal incoerência nós sentimos quando a atual direção do Sindipetro apresentou uma proposta flagrante de retirada de direitos dos seus empregados há muito conquistados, dizendo não querer retirar nada. O mais sério diz respeito à forma de ajuste do salário. Ao invés de pagar o mesmo percentual de ajuste dos petroleiros, como vem praticando, a diretoria resolveu fazer uma cesta da média dos salários dos trabalhadores de todas as empresas. Com tal contabilidade provoca um rebaixamento nos salários dos seus empregados.

Ora, amigos, o papel de um sindicato que se entenda como “revolucionário” é avançar nas suas conquistas. Por sábia e coerente decisão deve manter a harmonia da categoria, da qual devem fazer parte seus funcionários; como já aconteceu. Durante muitos anos os funcionários do Sindiquímica-SE eram filiados ao próprio sindicato e os ganhos de toda a categoria a eles eram repassados, sem qualquer dificuldade. Não é sensato a diretoria nivelar por baixo nas comparações que faz dos seus funcionários com os de outras categorias. O Sindipetro deve ser vanguarda, nunca o atraso.

Os limites de pagamento devem ser técnicos. Jamais argumentos mesquinhos, depreciadores e avarentos devem servir como barreiras. Os funcionários, ao se mobilizarem, fizeram o quê aprenderam com o próprio sindicato/patrão: lutar, lutar e “lutar, quando a regra é ceder”. Quanto à jornada de seis horas, os próprios petroleiros venderam por um punhado de dinheiro (ver casos históricos) e não devem choramingar pela conquista dos funcionários do Sindipetro.

Há inconsistência da diretoria quando afirma que a folha de pagamento do pessoal chega a 70% da receita. Isto não resistiria a uma simples verificação nas contas, bem sabemos.

Nesta trégua topada como gesto de confiança por parte dos funcionários, espera-se que a diretoria do Sindipetro consiga gerenciar esta questão, tipicamente operacional, e não transformá-la em fato político grave. Caso contrário o Sindipetro precisará de um “choque de gestão” para equilibrar despesas e receitas, pagar salário digno, propiciar ambiente de trabalho saudável e, consequentemente, qualidade de vida aos seus funcionários.

Trabalhadores da FAFEN-SE que deram ampla vantagem eleitoral a esta atual diretoria, repudiam qualquer Acordo de retrocesso e afirmam que, para se livrar da incoerência e ganhar a confiança de todos filiados e funcionários, a diretoria do Sindipetro deve assumir o que diz ser na prática: um sindicato que luta e respeita os direitos dos trabalhadores, isto como princípio, e não como mera questão corporativa.

 

Laranjeiras 04 de janeiro de 2012

Trabalhadores da FAFEN-SE.